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Imagine se houvesse um lugar onde todos os jornalistas se reunissem. Um lugar onde estivessem os maiores formadores de opinião do país, em uma grande comunidade virtual. Esse lugar existe, e vou contar, neste post, como foi construir isso.

Se um médico quer ler sobre sua área, abre uma das várias revistas ou sites de medicina existentes. Se alguém do mercado financeiro quer se manter bem informado, tem ao seu dispor veículos diversos de economia e negócios. Mas e o jornalista? Se ele quer ler sobre jornalismo, onde ele recorre?

Hoje, esses profissionais contam com o Portal Comunique-se, o maior site para jornalistas e comunicadores do Brasil e um dos maiores do mundo. Porém, pouco mais de 10 anos atrás, não era bem assim. Não havia nenhuma iniciativa bem estruturada ou de expressão nessa área.

E em 2001, decidi que ia construir a maior comunidade de jornalistas do mundo.

Essa história começou em 1995, quando passei em um processo seletivo para ser analista de sistemas do finado Jornal do Brasil. Fiquei lá por dois anos, tempo suficiente para entender um pouco sobre como funcionava uma redação de jornal.

Depois fui para a FSB Comunicações, uma das maiores agências de comunicação do Brasil. Foi quando conheci o outro lado do jornalismo, o lado das assessorais de imprensa.

E aí ficou fácil juntar os duas partes de uma mesma moeda. De um lado, a busca por matéria- prima para suas reportagens. De outro, as assessorais transformando as novidades de seus clientes em material para jornalistas.

Foi assim que caiu a ficha de que não havia nada estruturado para aproximar jornalistas, assessorias e empresas. E comecei a trabalhar na ideia. Meu sonho grande naquela época era “construir a maior comunidade de jornalistas do mundo!”.

Se conseguisse fazer isso, eu teria uma plataforma de comunicação que possibilitaria a aproximação de empresas e formadores de opinião. Acreditava, então, que poderia gerar valor e contribuir com a sociedade. Também imaginava que poderia viabilizar o projeto vendendo publicidade. Afinal, seria um site de formadores de opinião. Isso deveria valer algo!

Montei um PowerPoint e um plano de negócios e levei a ideia para os donos da FSB, que me apresentaram aos fundadores da IP.COM, um fundo de investimentos focado em empresas de internet, as chamadas "ponto com". Estávamos no final dos anos 2000, quando a bolha da internet começava a esvaziar. 

Depois de vender merda e giz (veja nos links os posts a respeito), não foi difícil vender uma ideia tão boa para eles: conseguir levantar o capital necessário. O IP.COM e a FSB viraram acionistas majoritários da minha ideia; e eu, que não tinha grana, virei acionista "mixoritário"  (categoria que inventei pois tinha uma mixaria das ações). A sociedade entre os dois majoritários não deu certo. A FSB poucos meses depois saiu do negócio.

Depois de levantar capital, deixei o emprego e fiquei 100% focado no projeto. Construir algo do zero é uma das coisas mais emocionantes que existe: formar equipe, montar escritório, desenhar os produtos, primeiros clientes, desenhar, processos, aprender com os erros, melhorar processos, melhorar equipe e assim por diante.

E no dia 10 de Setembro de 2001, um dia antes da tragédia das Torres Gêmeas, entrou no ar a primeira versão do site Comunique-se. Achei uma imagem de como ele era na época:

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Parece tosco? Mas, na época, era o máximo. O Comunique-se, há 13 anos, já permitia criar perfil, tinha comentários e até curtidas! Talvez por isso tenha dado tão certo. Eram milhares de novos cadastros a cada semana.

O plano inicial de atingir 20 mil cadastros em um ano foi cumprido nos primeiros três meses. Além disso, o nível dos cadastrados era impressionante. Percebíamos que o Comunique-se estava atraindo jornalistas iniciantes e também os “tarimbados”.

Esse vídeo que fizemos em 2002, poucos meses após o lançamento, mostra um pouco disso.

Hoje em dia o Comunique-se possui mais de 300 mil usuários. A venda de publicidade não foi tão boa quanto imaginávamos e rapidamente lançamos uma série de serviços digitais para estreitar relacionamento entre empresas e imprensa.

A classe que antes era considerada “desunida”, agora se vê reunia diariamente de maneira virtual. E depois, presencialmente também, por meio do Prêmio Comunique-se. Mas essa história, fica para um outro post.

EVQV!

 

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