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Outro dia, contei como começei a vida na merda, literalmente.

Aquele meu “empreendimento” de catar bosta na porta da escola e vender para a professora que cuidava da horta durou pouco. É que um dia fui levar minha “produção” para a professora, mas ela não tinha o dinheiro para pagar na hora, disse que pagaria depois. Nunca mais vi a cor dessa grana...

E aprendi uma lição: não concentre muito de sua receita em um cliente só!

Bom, de qualquer maneira, aquele negócio era ruim: muito trabalho para pouco dinheiro.

Nessa época (estava com uns 12 anos), ficava de olho em tudo. Qualquer coisa poderia ser uma oportunidade. E quando estamos por baixo as oportunidades são raras, por isso não podemos nos dar ao luxo de perdê-las.

E descobri um jeito de ganhar dinheiro vendendo giz!! Bem mais dinheiro do que o cocô (5 vezes mais) e de maneira bem mais fácil.

Vejam como:

Depois de mais uma mudança de endereço, estava morando no fim da Avenida Maracanã, no Rio. Essa rua tinha feira livre todas as terças. E eu gostava de descer às 3 da madrugada para ver a montagem.

Ficava ali sentado na porta do prédio assistindo a montagem das barracas, a gritaria dos feirantes, a arrumação dos produtos e…  a marcação de preços!

Ainda na madrugada, eles marcavam os preços iniciais e, ao longo do dia, trocavam inúmeras vezes. Uma feira é uma verdadeira aula de economia. Os preços se ajustam à economia local em uma velocidade incrível.

Porém, para marcarem os preços, os feirantes precisavam (e ainda precisam!) de um precioso artefato: o giz.

E pasmem: eles se esquecem de levar giz!! Não acreditei quando vi um dos feirantes com um pequeno cotoco de giz, que ele pegava com cuidado com as pontas dos dedos e escrevia o preço.

Enquanto isso, o feirante ao lado, sem giz, pedia por favor emprestado. O primeiro feirante então entregava aquele giz, quase como uma grande prova de amizade e desapego. E assim seguia a feira, todo mundo emprestando pequenos pedaços de giz um para o outro. Iam sofrendo, mas se virando.

Não aguentava ver aquele sofrimento todo e no mesmo dia corri em uma papelaria para ver quanto custava uma caixa de giz. Hoje em dia, para você ter uma ideia, uma caixa com 50 unidades custa menos de R$ 3.

Comprei a caixa e na feira seguinte lá estava eu:

“Olha o Giz!! Inteirinho para você marcar seus preços com dignidade, a vontade, quantas vezes quiser!”

Tipo, comprava umq caixa por R$ 3 e vendia por R$ 1 a unidade..

Transformava R$ 3 em R$ 50! Os feirantes compravam sem pestanejar. Margem incrível, né? Além de uma boa ideia, você há de concordar.

Quem diria, vender giz na feira! Tudo apenas porque eu parei para observar e, principalmente, fazer acontecer.

Meu giz acabava logo pela manhã e eu ficava com o resto do dia livre para continuar observando a feira.

Depois, passei a vender café bem cedo. E de tarde, com aquele sol carioca de rachar, vendia água. E assim fui “diversificando”.

Nessa historinha aprendi algumas lições que uso até hoje:

  • Observação é uma das maiores armas do empreendedor
  • Oferta X Procura X Preço: Vendia o giz 16 vezes mais caro do que comprava e ainda assim o cliente pagava feliz
  • Quer aprender sobre economia: frequente e observe uma feira livre!
  • Ideia é importante, mas fazer acontecer é muito mais

E depois, ainda comia uns pastéis por lá mesmo. Delícia!

EVQV!

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