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Sou desses empreendedores fanáticos e, muitas vezes, mal compreendido. Nos últimos 14 anos, montei seis empresas e tenho orgulho em dizer que fiz cada uma delas dar certo (www.grupocomunique-se.com.br). Comecei do zero. E de uns tempos para cá, tenho tido a agradável possibilidade de conviver com empreendedores começando seus passos no fantástico mundo do empreendedorismo. Os, digamos assim, "empreendedores-mirins".

Mas, tenho que confessar, ando meio desapontado. O que levaria um empreendedor dar menos do que a totalidade de sua dedicação e capacidade ao seu próprio negócio? O que levaria alguém que se diz "empreendedor" colocar seu lazer à frente de seu próprio sonho? Ainda mais quando se trata de um empreendedor-mirim, um sujeito iniciando seu negócio, e o resultado disso se desdobrará em como será seu futuro dali para frente.

Montar um negócio pode ser o transporte para o sucesso de um jovem. Mas apenas "pode" - no sentido de haver uma (remota) possibilidade -, pois, estatisticamente, as chances são pequenas.

E essa "estatística" se torna mais ou menos favorável dependendo totalmente do empreendedor.
 
A máxima "Prefiro um negócio ruim na mão de um empreendedor bom, do que um negócio bom na mão de um empreendedor ruim" é a mais pura verdade.  
 
Conheço uma centena de empreendedores. Por causa da Endeavor, convivo com alguns dos melhores. Eles fazem parte da estatística boa: menos de 3% da população têm perfil empreendedor sendo que apenas 0,15% são de alto impacto. 
 
Ou seja: de cada mil pessoas, 30 têm perfil empreendedor. E desses 30, apenas 1,5 seriam empreendedores de alto impacto.
 
O restante (28,5) são empreendedores "normais". Parte grande deles vai fracassar, enquanto a parte pequena vai montar um negócio pequeno (padaria, papelaria, pastelaria, pequeno escritório de contabilidade etc) e vai tirar seu sustento dele, sem grandes luxos e sem fazer muita diferença na socidade.
 
Repetindo: 
 
De cada 1000 pessoas
  30 têm perfil empreendedor (3%)
       desses, apenas 8 conseguirão cololocar um negócio de pé (1%)
           desses, apenas 1,5 será de alto impacto (0,15%)
 
Atenção, novos empreendedores: vocês desejam ocupar qual das estatísticas acima?
 
Vale reforçar que dos 3% com perfil empreendedor a maior estatística é formada pelos empreendedores que fracassam e não montam nada (se oito colocam um negócio de pé, 22 não conseguem).
 
Eu decidi, lá atrás, fazer parte da estatística de alto impacto. 
 
De todos os empreendedores de alto impacto que conheço (pequenos, médios, grandes e gigantes), todos eles, sem exceções, tinham um compromisso extremo com o trabalho e seus negócios/empreendimentos. 
 
Por isso, é muito difícil para mim compreender como alguém que se julga "empreendedor" pode optar por chegar tarde, ficar de bobeira, enrolar, faltar ao trabalho sem motivo, emendar feriado, priorizar diversão ao seu próprio negócio e assim por diante. 
 
Intercalo as semanas entre Rio e São Paulo. Tenho 45 anos, três filhos e uma vida já organizada. Na semana que estou na capital paulista, pego o avião às 5h e às 8h já estou no escritório - e trabalho sem horário para terminar. Quando estou no Rio, também começo cedo e saio às 20h, pois preciso compensar a família após uma semana fora. Fico com a turma em casa, coloco todos para dormir e não aguento: vou para o "quarto do empreendedorismo", um pequeno escritório que tenho em casa e toco o maior zaralho: coloco em dia os emails, desenvolvo as ideias, olho os projetos em andamento, os indicadores, agendo reuniões, enfim, faço acontecer.
 
Não me interpretem mal, não faço só trabalhar. Arrumo tempo para viajar e muito (basta ver meus outros posts aqui no blog). Mas faço assim, tiro três férias de 10 dias no ano. O resto? Foco total em fazer meu negócio gerar cada vez mais impacto.
 
Enquanto isso, empreendedores mirins, iniciando suas vidas, jovens cheios de energia, tendo toda uma estatística contra eles, decidem deliberadamente se auto-sabotarem, se dedicando aos seus negócios apenas "parcialmente". 
 
Meu caro empreendedor, seu negócio só tem alguma chance de dar certo se você apresentar um compromisso impecável, se empenhando até sangrar o olho por ele.
 
Sem isso, seja bem-vindo às estatísticas dos que fazem água.
 
EVQV
(e vamos que vamos)

 

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